segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

_descomportada


Enxergo que, se o amor é um comportamento e não um sentimento eu tenho um desvio de comportamento descomunal.
Apaixonar-me é o problema me envolver com ninguém é a solução que eu finjo ser correta, mais não é.
Porque se gosto, eu quero pra mim, e quero ainda mais, pois suas risadas me agradam e o seu olhar despreocupado me conquista. Porque estar ao seu lado me faz bem e eu quero estar sempre bem.
Penso que nessas situações não há nada a fazer a não ser apaixonar-me. Se uma pessoa lhe cativa e ao vê-la você quer abraça-lá e dizer o quanto é especial, o que fazer com tudo isso? O que fazer com tantas boas formas de amor e amizade que não podem ser demonstradas?
Deixar-se-ia vagar a esmo um pobre alguém, amado ou amante preso ao nada enquanto perturba-se por uma paixão? É poético e sôfrego... A realidade abstrata é sofrer por gostar, algo bom que faz um mal desconcertante e aflitivo, você sente mais sabe que não pode tocar.
A hora de esquecer é quando a lucidez não lhe cai bem e o torpor da embriaguez lhe veste como um agradável Allstar sujo. E você acha que vai acordar no outro dia sem gostar tanto assim, não vai querer com tanta intensidade. É como dormir com dor de cabeça e antes tomar um analgésico para acordar curado. O amor não tem cura!  É como gripe, o vírus se multiplica e se transforma a cada respiração... Inspire... Expire... Inspire... Expire e mais uma vez e outra e o amor só faz crescer.
Eu que a muito já, amo sem pretensão, amo por simples amar... Da formiga ao formigueiro, a flor de Ypê e as estrelas. Como não te amar? Como não sofrer? Sabendo que a cada dia tenho cada vez mais prazer por ti, e cada vez, tenho menos de você em mim.

_a santa e o céu


Quando pequena ouvi dizer que a magnitude do céu era tão bela quanto olhar a face da virgem. Eu me perguntava que virgem é essa qual seria a semelhança entre olhos e nuvens ou nariz e pássaros.


Com o tempo o conhecimento passa a preencher-lhe a mente sem que você saiba como ele veio e como entrou. E você sabe... A virgem santa, a Deusa da natureza deve ser mesmo assim como o céu azul, com belas nuvens extremamente brancas sorrindo pra você. Hoje penso que se a virgem santa for tão bela, realmente sua beleza se assemelha ao céu.

Acho que todas as mulheres que nasceram com o dom da beleza são como santas imaculadas, poderosas e enérgicas, brandas e mansas. Todas são capazes de enganar, elas têm o poder nas mãos. Mas... Com todo esse livre arbítrio, umas acabam por ser mais santas que outras e várias mais sagazes que todas.

É possível que uma mulher te faça um ser perdido de amores por ela e te diga com carinho que não teve a intenção. Claro! Você vai entender e perdoar. O que mais você faria? É possível que uma mulher te obrigue a se jogar do precipício com apenas um olhar e um batom vermelho. E quando estiver no despencar eterno vai pensar... Pensar... Pensar... E concluir. Por que não?!

Quando ela beija sua face, e bem lhe digo apenas a face, lhe dá o poder de dominar o mundo! E você vai comemorar por um segundo e num ato de bravura e cortesia (ou seria melhor dizer mediocridade e insanidade?) você jogará todo o poder naquelas mãos delicadas como se estivesse lhe dando uma rosa! Tudo isso só para tratá-la como uma Santa Imaculada. Porque é isso que ela é. Você é capaz de tudo por ela, pois nada existe sem ela, nem os monges explicam tal comportamento. Provavelmente os monges já se comportaram assim. Percebe-se, pois que, se os monges são os únicos homens que atingem a santidade e são eles os únicos abstêmios obstinados do elixir da santa. São mesmo sábios esses monges. E somos todo o resto muito tolos.

Pois sem que perca sua graça ela muda de idéia como o céu muda de humor, e muda de humor como o céu muda cor. Se ela gritar e praguejar você vai ouvir os muitos raios e trovões no céu. Com essa Santa revolta que mais parece a Sucursal do Inferno, um raio vai cair quando ela demonstrar sua raiva ou angústia.

Depois de crises que mais se parecem com catástrofes naturais, o certo seria pensar “Meu mundo foi devastado por essa Santa Impura. Que trouxe junto com o vento o vendaval e com seu temperamento os terremotos”. Pois é, você ira olhar pra a Santa que ao chamar seu nome ao mínimo sussurro te enche de alegria e verá...
...Que se apaixonou, pelo céu e pela santa e hoje morre de amores, sem culpa sem dores. E sabe que não obstante é provável que chova quando a primeira lágrima tocar-lhe a face e você estará lá para confortá-la.

E confortará com um pedido de desculpas vencido, aquecedor de orelhas e milhares de elogios. Ela vai estar do seu lado quando você agradecer a sua santa preferida e se não tiver nenhuma, certamente agradecerá aos céus.