quarta-feira, 20 de abril de 2011

_o eu passional



Você que se doa e se desdobra se faz e se desfaz pelo possível improvável. Pela chance de ter a chance e espera pacientemente que esse dia chegue e a mesa vire e as coisas mudem...
O lance é que você gosta de gostar assim alucinadamente e o faz por você mesmo. Enfrenta mares e profundos pra que quando chegue à hora de se orgulhar por isso você diga, “tudo bem não foi nada”.
Um ser passional, louco-louco ensandecido. Trancafiado pelo real, pelo tocável. Sua loucura e sua desmesura são seu bem maior e o que os outros enxergam não é nem uma quimera do seu poder.
Quando descobriu-se só, e pode se ver no espelho, inventou sua estratégia para a vida, a estratégia de não ter nenhuma estratégia.
Gastar seu dinheiro em um dia é fácil, mais você ficaria milionário pra gastar todo seu dinheiro em um dia. Ter um amor é fácil, mais você tem todos do mundo ao passo que se enamora por todos eles de tempos em tempos... Alternadamente, inusitadamente.
Para todas as suas vontades uma paixão, as coisas pelas quais sonha são pedaços do eu. São tão reais como se já estivessem realizados. E você acredita em todos eles, seu sonho e sua religião. Sua religião é só sua por honra e autoria.
Só assim a verdade existe em você, só assim se declara sua existência. O que te determina é o que te enlouquece, num ciclo viciante de pretextos da vida, onde tudo que acontece te reafirma.