O agora foi o passado, o futuro foi ontem. E a linha do tempo em nossas vidas, já não está no mesmo percurso. Se nos deparamos com a mesma árvore, você a encontra em frutífera primavera, ao mesmo passo que eu a vejo como num outono profundo marrom de folhas secas e ventos que fazem rodamoinhos.
Se te vejo sorrir já não sei o motivo de sua alegria, se a vejo chorar não sei como secar suas lágrimas. Feliz me entrego aos fatos da maneira mais hipócrita que eu consigo, finjo achar natural esse processo de abandono mútuo. É um estado anestésico que muda a cor do céu e o humor da maré.
Na verdade não te vejo sorrir ou chorar, não te vejo mais, você já é outra pessoa, não faz parte da minha vida. O reflexo de nossas vidas no espelho está um tanto embaçado, difícil de enxergar.
A inspiração se foi, por mais que beber fosse à desculpa para encontra - lá, bebi e bebi e a inspiração sentou-se a meu lado no bar só pra rir da minha cara! Foi necessário relembrar todas as mágoas passadas, alegrias, conquistas, decepções e transgressões em minha vida para tocar essas teclas que a muito já estavam abandonadas.
Então acabo por sentir nesses dias quentes um frio absoluto, tudo é gélido e opaco. Tenho sempre uma fada madrinha ao meu lado que me esquenta com asneiras e frases de impacto. Só que quando ela se vai... Todos voltam para o mesmo lugar. “Preciso ir, preciso ir, preciso ir.” Para onde todo mundo vai quando diz que precisa ir!
Estou sempre... Estando, ficando, passando. Ao meu lado todos têm o hábito de ir se indo pra longe, pra perto, nunca aqui, do meu lado. Verdadeiramente não imaginava que isso era um fato consumado em minha vida. Estou caindo em si e vou-me indo também, a passos lentos, porém largos. Para o mundo mais chato de todos, o mundo real.