domingo, 13 de março de 2011

_o melhor pai



Foi pra você que ele separou os melhores grãos da terra. Eles são difíceis de achar.
Ele pegou o melhor linho, o melhor algodão, a melhor seda e a melhor manhã. A que você abriu os olhos.
No seu melhor momento de fúria ele te deu a nuvem mais cinza.
No seu momento mais-mais lúdico, lhe arrancou toda lucidez do cérebro e te fez sorrir consigo mesma. Não era o melhor momento da sua vida, mais parecia.
Para todas as situações relevantes ele te deu coisas especiais, parecem doloridas para alguns, banais para outras, mais você sabe o valor de todas elas.
Quando você teve que sofrer, ele colocou pessoas com os ombros mais fortes que os seus para te manterem de pé.
Quando você teve que se mostrar forte para o mundo, ele te deu a força que precisava para erguer o ombro dos seus queridos e se manter na posição de capaz.
Ele te deu um rosto firme, um olhar de amor, um olhar de dor, uma mão pra te amparar.
Ele enche todos os dias, te preenche em todos os vazios, todos os espaços, te restaurando como uma árvore que se revigora com a chuva e dá frutos novamente.
Por fim um dos ímpares mais importantes que podes ter e tens todos os dias é o seu sorriso, que usa em seus melhores e piores dias como se fosse o presente mais valioso que poderia ter ganhado.
De tudo o que tens seu sorriso é o mais sincero e o mais amado. 

terça-feira, 8 de março de 2011

_amar e sonhar

Quando puxei, segurou por segundos em minha nuca até hesitar. Olhou para mim, os olhos atônitos procurando uma solução e só encontrando a minha sede, a minha vontade. Insistente me joguei com voracidade tentando provar que delicadeza nenhuma impede uma mulher de ter atitude.
Certifiquei-me de que nossos corpos estavam definitivamente unidos quando consegui sentir que seus músculos não mais retesos se envolviam aos meus num jogo de malemolência que tinha dois jogadores e dois ganhadores.
Cada movimento ilustrava uma cena certa do final maravilhoso o qual nós não conhecíamos antes disso. Os segundos passavam rápidos para explicar as coisas mais ao mesmo tempo era como se nunca tivessem inventado o relógio ou o próprio tempo.
O mais intenso de todos os movimentos se resumia a nossas mão que permaneciam ávidas buscando o que quer que se projetasse a frente, da maneira mais apaixonante e intensa possível.
Não existia mais nada do que a busca interminável para curar o tempo perdido. Como se o momento pudesse durar a vida toda pela satisfação implícita a ele. Mesmo sabendo que acabaria.
Foi então que seus olhos fecharam se entregando de corpo e alma. E eu abri os meus em minha cama certificando-me de que estava sonhando.

terça-feira, 1 de março de 2011

_e no final, o fim.

As pessoas vêm e logo se vão com o vento, é sempre você quem traz o cheiro cálido das folhas secas e o orvalho, assim como o levará embora para o recôndito do coração da terra.
Sozinha em minhas análises irei enxergar que se foi a chuva e que as flores já não brotam e que os pássaros não me acordam pela manhã. Talvez porque minha lúcida embriaguez não me permita o deleite do sono ou simplesmente não há mais o sol para acordar a todos.
E todos se foram com o torpor e sono eternos esperando o Sol que se foi com você e atravessou o mar abolindo o poder das ondas de dançarem em volta da terra. E como se ninguém acordasse, vejo que permaneço sozinha em meio ao mundo enfadonho que agoniza com todas essas grandes perdas.
Se após o início do fim existir no mundo um banco de praça, lápis e papel, certamente que estarão comigo como se fossem a arma de um guerreiro, que vai de espadas, paus e pedras à uma harpa de madeira entalhada. Então lutarei com a mente tentando retratar desse modo o luto do universo.
Póstumo a essa luta fatídica vou perecer no encanto do seu amor, ouvirei o uivo dos lobos que em uníssono se despedirão da Terra ao seu modo. Esperarei pelo pranto silencioso dos anjos que verão que se fez o fim da terra devido ao fim do amor maior.