quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

_amor sintético

E estou aqui...
É tão quente que não quero sair.
Você é tão confortável que eu me sento
E me empolo toda em você.
Apoio em seus braços...
...Largos, fortes e calejados.
Me enrolo o quanto for possível
E puxo o lençol com a ponta dos pés.
Me remexo, me reviro nem olho pra TV.
Roço a mão nas suas costas...
...Às vezes com as unhas.
E você? Sempre indiferente.
Ah! Divido-te, compartilho-te.
Com amigos dancei em cima de você.
De saia curta e completamente embriagada.
Preencho os espaços, sempre!
Por hora sozinha, as vezes acompanhada.
Pisoteio em você de salto alto, não te respeito.
Em seu purgatório você me segura e tenta me apertar,
Enquanto te traio em abraços beijos e puxões.
Ai esse sofá! Meu amor sintético e não contextual.
Com suas almofadas de linho que me acalentam
Sei que me cura nas horas de ressaca!
Só para provar que me ama.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

_o gato e a dona


Veja como é perceptível a forma delicada e apreensiva que me aproximo de você. 
Chego de mansinho me enroscando em sua perna.
Gosto de fingir de discreta, mais na verdade quero chamar sua atenção.
Ando com uma delicadeza singular em volta de você, escolhendo o melhor ângulo pra me aproximar e subir bem lentamente no seu colo.
Na verdade preciso conquistar você, antes que você perceba vai estar me fazendo carinho.
Eu sei que por mais que seja minha dona e eu tenha sido comprada com um dinheiro tão barato, existe amor nessa nossa relação.
O necessário é que eu te conquiste todos os dias para que você continue me amando.
Uma hora você vai perceber quem se doa mais.
Você vai perceber que uma dona, precisa cuidar bem do seu objeto de carinho.
Você não vai sentir ciúme se eu subir no colo de sua amiga, nem do seu amigo aquele que você mais gosta.
Você não sente ciúmes de mim nunca.
Me abandona numa cama pequena e sem aconchego e não me deixa dormir com você.
Não me chama pra sair com suas amigas e nem me deixa entrar no seu carro.
Nem sei das suas diversões e peripécias, você sabe todas as minhas.
Você me faz de gato e sapato.
Na verdade só de gato e me pisa com seu sapato predileto.
Me joga do alto de um precipício de sentimentos, só porque tenho sete vidas.
E após isso ainda aposta com todos a volta de que vou cair virada pra cima e tudo vai ficar bem.
Me equilibro em corda bamba, pulo muros e telhados só pra te agradar.
E você nem percebe, nem vê.
Por enquanto estou aqui, brincando com a lã e esperando seu olhar de dona.

Depois vou fugir com os gatos da rua.
Esgueirando-me em becos e vielas, tombando lixos e miando em telhados.