domingo, 17 de julho de 2011

_sublime

Tá, eu estava com a boca escancarada cheia de espuma, com uma escova se metendo nos meus dentes, a angústia era tanta que saí da rotina e decidi escovar os dentes depois do almoço.
Foi quando veio a paz, em meio a tanta frustração enfurecida, angústia calada e outros temperos da vida, as lágrimas que vi percorrerem meu rosto seguindo o caminho de outras foi a melhor visão que tive de mim em tempos. Pensei, ao menos sou sublime com esses sentimentos.
Sabe quando os olhos já cheios d´agua quase transbordando se contêm vermelhos e misericordiosos. Foi nessa hora que me enxerguei no espelho, antes da lágrima rolar, a sensação foi tão estranha que parecia que eu olhava pra um personagem inocente, forte, que não merecia aquelas lágrimas.
Mais na verdade eu sabia que merecia isso como presente. Mesmo assim por dentro eu sabia que merecia, por mais sublime que fosse minha visão não turva de mim mesmo com olhos carregados de tristeza líquida. Sabia que era merecido.
E depois da sensação passar e eu sentir dor. Senti doer mesmo. Se sentir humilhado no banheiro, mesmo sozinho, foi estranho. Parecia um palco na frente da platéia mais crítica que há, vários euzinhos sentados nas cadeiras, prontos pra julgar e olhar pra mim por alguns 10 segundos com aquela cara de você é um nada e depois cuspir no chão e sair batendo as botas de cowboy.

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