terça-feira, 1 de março de 2011

_e no final, o fim.

As pessoas vêm e logo se vão com o vento, é sempre você quem traz o cheiro cálido das folhas secas e o orvalho, assim como o levará embora para o recôndito do coração da terra.
Sozinha em minhas análises irei enxergar que se foi a chuva e que as flores já não brotam e que os pássaros não me acordam pela manhã. Talvez porque minha lúcida embriaguez não me permita o deleite do sono ou simplesmente não há mais o sol para acordar a todos.
E todos se foram com o torpor e sono eternos esperando o Sol que se foi com você e atravessou o mar abolindo o poder das ondas de dançarem em volta da terra. E como se ninguém acordasse, vejo que permaneço sozinha em meio ao mundo enfadonho que agoniza com todas essas grandes perdas.
Se após o início do fim existir no mundo um banco de praça, lápis e papel, certamente que estarão comigo como se fossem a arma de um guerreiro, que vai de espadas, paus e pedras à uma harpa de madeira entalhada. Então lutarei com a mente tentando retratar desse modo o luto do universo.
Póstumo a essa luta fatídica vou perecer no encanto do seu amor, ouvirei o uivo dos lobos que em uníssono se despedirão da Terra ao seu modo. Esperarei pelo pranto silencioso dos anjos que verão que se fez o fim da terra devido ao fim do amor maior. 

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